20 de nov. de 2009

Autoviolação de Valores

Quando o bem é o mal. E vice-versa...

O prazeroso é o poder, a vontade-desde-e-para-si, o dominar.

Que fazer depois que não há mais sentido em transvalorar os próprios valores? Depois da forma em inocência...

Qual o sentido em especular, teorizar, investigar valias de atribuição?







- Eis o "ser" triângulo como 4ª transmutação ontológica -


14 de nov. de 2009

Quem Tem Medo De Matemática?

Pessoalmente, penso que o condicionamento de massas a respeito do “diabolismo” dos números, vai meio pela linha do “Saber é poder”. Controle da grana (a saber, a manha de investimentos metadiversos – lucro e crédito –, nas bolsas de valores e afins); fundamentos “contemporâneos” plausivelmente consistentes por alicerces “provisoriamente” duradouros – a “visão maior” em micro e macro-econômica; “segurança” e administração da própria liberdade: afinal, a liberdade não “é o bem que nos permite desfrutar dos outros bens”?, como diria o iluminista Barão de Montesquieu; ora, o dinheiro (com sua boa gestão) não se denomina, ou é sinônimo de “Capital”, por mero acaso...
Qual seria o pior... O brechtiano “analfabeto político” ou o “analfabeto matemático”? Como ser um, sem também não ser o outro?
Aritmética, álgebra, geometria, trigonometria, cálculo, análise, teoria, probabilidade, estatística, logaritmo, enfim... Calcular pode ser ruim, mas os produtos são notáveis... Penso, que, salvas circunscritas exceções, quem “domina os números”, ostenta de certo modo “poder”. Pelo menos, no que diz respeito ao nosso “Atual Mundo Ocidental”.
Como a máxima atribuída à autoria de Aristóteles, reitero: “As ciências têm raízes amargas, mas seus frutos são doces”. Hmm...ou não. Tudo é relativo, pronto. Vou pro bar.




Revista Exame – Capital Digital


Quem Tem Medo De Matemática?
Por Helio Gurovitz


Muita gente. O problema é que ela é cada vez mais necessária


Desde criança me impressiona como gente extremamente inteligente e sensível pode ter medo de matemática. A infeliz divisão curricular entre ciências, por assim dizer, humanas e exatas só reforça a fobia. Ninguém diz "tenho horror a frases", mas muita gente não tem a menor vergonha em confessar "não suporto contas". Muitos sentem orgulho da própria ignorância — "eu gosto é de pessoas, não de números", como se uma coisa pudesse ser comparada à outra. Em situações sociais, se alguém comete algum erro grosseiro de português, pega muito mal. Se comete uma barbaridade matemática, com certeza se safa numa boa. Fazemos força para erradicar o analfabetismo do Brasil, mas não gastamos um tostão nem um só segundo para combater — com o perdão do barbarismo — o analfabetismo em matemática (em inglês, criaram até uma palavra para identificar o problema: mnumeracy).


Milhões, bilhões, trilhões, que diferença faz? Faz muita. Pense que, se você gastasse 1 real por segundo, levaria onze dias e meio para torrar 1 milhão de reais, mas 32 anos para se livrar de 1 bilhão. Percebeu como faz diferença? Mas, mesmo entre executivos e empresários (para não falar em políticos e jornalistas), dimensões e grandezas não parecem estar na ordem do dia. Nem estatísticas, probabilidades, proporções ou percentuais. O problema é que a tecnologia está. E, normalmente, a dificuldade de quem não consegue lidar com o computador não está na máquina. Está no analfabetismo em matemática.


Um computador não passa de uma máquina de calcular muito vitaminada. Tudo num computador é traduzido por números. Absolutamente tudo. Chamar algo de digital quer dizer, precisamente, que esse algo pode ser "numerizável" (em francês, por sinal, a tradução para a palavra digital é numérique). Como, então, alguém pode lidar com a economia digital se tem fobia de números? Como pode entender que a era da informação, no fundo, é a era numérica, já que os bits não passam de números (zeros ou uns)?


Os mais pragmáticos podem objetar que não é preciso saber como funciona um editor de textos ou um programa de apresentação de slides para usá-los. É fato. Um dos grandes avanços no mundo dos computadores foi torná-los mais palatáveis às massas. Mas qualquer um concordará que é impossível usar a tecnologia da informação da melhor forma nas empresas sem dominá-la. Como medir, por exemplo, se um investimento em programas e equipamentos sai caro ou barato? É nesse ponto que o problema se torna mais insidioso. Pois as mesmas pessoas que admitem com orgulho a ignorância em matemática morrem de vergonha de dizer que se sentem intimidadas pelo computador e deixam as decisões mais simples a cargo dos especialistas.


Não há motivo para vergonha. O sistema educacional doutrinou a maioria para ver a matemática como algo monótono que não incentiva a criatividade e nada tem a ver com a humanidade tão necessária hoje para gerir corporações. Para ter idéia de como é falsa a suposta oposição entre atividades técnicas e humanas, basta lembrar que entre os maiores representantes das últimas estão matemáticos como René Descartes. Blaise Pascal, Gottfried Leibniz ou Bertrand Russell. Se você encarar a matemática apenas como o que ela é — mais uma linguagem ou uma outra língua estrangeira —, perceberá como ela instantaneamente desce do pedestal do inacessível. E, de quebra, verá como fica fácil tirar proveito do computador.






6 de nov. de 2009

Lente Humana & Lente Maquinária

Localizei no youtube alguns vídeos pirato-perdidos arcaicos de minha participação orquestrina...

Já que ninguém conhece meu musical lado lírico apolineante, muito menos o expressionista hadeano também musical -que prefiro não exaurir na lucidez da claridade do dia-, aqui anexo trechinhos amostreantes...

Os contrabaixistas estão no fundo, lado direito(quando aparecem)...E eu, dependendo de qual vídeo, mudo de posição, mas geralmente sou o segundo da esquerda pra direita, no trechinho da nona, o último(e o mais nanico em termos de altura). Se eu achar mais vídeos, depois vou complementando aqui no post. Enfim, o que exporta é o que importa, boas e más lembranças, o som e a memória é que valem(ou não).






















28 de out. de 2009

Pow!



Bom. Acho que ainda posso confiar em vocês e na discrição deste singelo e secreto (?) blog. Assim, dadas as inúmeras versões que dei para o soco que levei no olho, acho legal poder recapitular, para mim mesmo, o que aconteceu e, de quebra, proporcionar às pessoas nas quais deposito alguma confiança a versão oficial dos fatos.


...

A noite iniciou deveras agradável. Havia saído com uma garota especialíssima, recém-separada, diga-se, mas com um papo legal, descontraído, inteligente, denotando gosto pelo diverso e tals. Nos demos muito bem, enfim. Mas ela tinha um outro compromisso e foi cedo embora.

Dali fui para um bar onde, sabia, encontraria alguns amigos. Encontrei-os todos lá. Alegres, haviam dominado a cozinha do bar e estavam fritando peixes e enfeitando-os com as mais diversas saladas, que nos vinham a toda hora na mesa. Não demorou muito e eu já estava para lá de Bangladesh, cantando Noel Rosa pras velhas amiguenhas.

De repente, uma loirinha surge dos céus e acende um cigarro na porta do bar ao lado. Foi amor a primeira vista. Parei de cantar e fiquei olhando-a com cara de idiota, esperando um “venha até aqui” que não veio. Alguns minutos mais tarde, um carinha que estava na turma dela veio ao meu bar comprar cigarros. Não hesitei: “Cara, me põe em contato com aquela mina”. Ao que ele respondeu, se empinando todo: “É minha namorada”. Eu, como não podia deixar de ser, falei: “OK, mas não se cria não! Tá inflando o peito por que? Se afasta, vira as costas e sai andando”. Ele foi, não sem antes me chamar de... “folgado”.

Noel Rosa vai, Cartola vem, conhaque desce, cerveja também... Dois ou três bares depois, uma ou duas carreiras de pó adiante e eis que vejo o cara novamente. Sem pestanejar: “E aí. Ó o folgado aqui de novo”. Ele não respondeu, virou as costas e foi embora. Mas voltou. Voltou com outro. Eu, como bom imbecil, ri dos dois: “Boa noite. O que faremos?”

Pow!

Quando dei por mim, estava no banheiro sendo lavado pelos colegas.

É a segunda vez que levo pontos. E a décima ou décima primeira que me acertam no olho. Vulnerabilidade de quem usa óculos. Pretendo operar a visão e me livrar das cortantes armações.

8 de out. de 2009

CAPITALISMO E PODER



O trabalhador, funcionário, subordinado, operário, e todos aqueles que não estão “no poder” almejam chegar lá um dia. O que permeia a idéia desses coitados é a ingênua sensação de que estar no poder é mandar sem ser mandado, ou ainda,o mais perigoso, aliam poder a liberdade. Mas que liberdade pode ter alguém que para estar no poder ou com o poder foi o mais submisso dos sujeitos?


Até onde a ideologia forja a realidade com tamanha sutileza a ponto de um cidadão, que acredita ser instruído, não perceber que depois de anos de submissão ele só poderia estar impregnado de tudo aquilo que não é mais ele mesmo, e sim, aquilo que ele teve que tornar-se para chegar ao poder.

Quanto mais cargos de suposto poder a ideologia puder criar, mais otários correrão atrás deste poderzinho, se engalfinhando ano a ano por um aumento de cem reais no salário, até chegar lá. Qual seria a função da criação dos cargos, do poder e da hierarquia, dentro de uma instituição, senão fazer com que o funcionário funcione?